Com a mente ocupada você é livre

23 Julho 2008

Chegar em casa após um dia corrido e cansativo de trabalho, ligar a TV e mergulhar numa novela, futebol ou série do The History Channel é um remédio universal para o estresse. 98% da população usufrui dessa maravilha da modernidade e nós blogueiros, apesar de compormos uma exceção, um percentual bem após a vírgula, não deixamos de fazer o mesmo: abstraímos dos problemas do dia-a-dia e aliviamos as tensões fazendo coisas que nos libertam do pensamento mecânico profissional, dos “to-do lists” da vida.

Agora imagine-se num ambiente de estresse extremo. Imagine-se refém no meio da selva colombiana com uma arma na cabeça e sob maus tratos físico e psicológico e, para piorar, por anos! Somado a isso, também não existe forma de abstração como nós aqui dispomos: no sex, no TV and no PC. Esqueça livros, revistas ou joguinhos de celular, não há nada. Mas o ser humano, ah o ser humano…

No último dia 2 de julho , no mesmo grupo de 15 reféns em que estava Ingrid Betancourt, foram resgatados pela operação “xeque-mate” 3 soldados americanos que estavam em poder das FARC desde 2003 (quando o avião em que estavam caiu numa região remota da Colombia). Hoje, já sob a drenagem jornalistica, numa reportagem da CNN, os três contaram como fizeram para aliviar a dor, a saudade e o esgotamento mental.

Um deles, a principio escondido, com uma faca quebrada começou a esculpir peças de xadrez. Após 3 meses e já sob a desconfiança dos guardas de que seria capaz de terminar o jogo  ele o fez. Assim, logo nas primeiras horas da manhã, começavam a jogar.

Caso você não se interesse pelo xadrez (diferente deste correspondente do Setembrochovi), tudo bem, imagine outro jogo. Mas o ponto principal do que aconteceu é que o tabuleiro rodou por centenas de horas pelos prisioneiros e nas palavras de um deles:

“graças a este cara éramos capazes de fazer algo com nossas mentes. Acorrentados no pescoço, sentados em posição de índio, jogávamos xadrez e quando fazíamos isso, estavamos livres. Se sua mente está ocupada você não é um prisioneiro e esse é o ganho, essa é a vitória. É como se não estivessemos lá”.

Sinceramente, a questão não é qual atividade pode ou não te entreter, mas se ela te liberta. E ai está a diferença entre os 98% da população tele-passiva e aqueles que, por mais que cansados e esgotados com o trabalho, chegam em casa se arrastando e fazem da “produção” mental o passo para fora deste mesmo presídio.

Vida longa aos blogueiros.

Link para a entrevista da CNN