Chegar em casa após um dia corrido e cansativo de trabalho, ligar a TV e mergulhar numa novela, futebol ou série do The History Channel é um remédio universal para o estresse. 98% da população usufrui dessa maravilha da modernidade e nós blogueiros, apesar de compormos uma exceção, um percentual bem após a vírgula, não deixamos de fazer o mesmo: abstraímos dos problemas do dia-a-dia e aliviamos as tensões fazendo coisas que nos libertam do pensamento mecânico profissional, dos “to-do lists” da vida.
Agora imagine-se num ambiente de estresse extremo. Imagine-se refém no meio da selva colombiana com uma arma na cabeça e sob maus tratos físico e psicológico e, para piorar, por anos! Somado a isso, também não existe forma de abstração como nós aqui dispomos: no sex, no TV and no PC. Esqueça livros, revistas ou joguinhos de celular, não há nada. Mas o ser humano, ah o ser humano…
No último dia 2 de julho , no mesmo grupo de 15 reféns em que estava Ingrid Betancourt, foram resgatados pela operação “cheque-mate” 3 soldados americanos que estavam em poder das FARC desde 2003 (quando o avião em que estavam caiu numa região remota da Colombia). Hoje, já sob a drenagem jornalistica, numa reportagem da CNN, os três contaram como fizeram para aliviar a dor, a saudade e o esgotamento mental.
Um deles, a principio escondido, com uma faca quebrada começou a esculpir peças de xadrez. Após 3 meses e já sob a desconfiança dos guardas de que seria capaz de terminar o jogo ele o fez. Assim, logo nas primeiras horas da manhã, começavam a jogar.
Caso você não se interesse pelo xadrez (diferente deste correspondente do Setembrochovi), tudo bem, imagine outro jogo. Mas o ponto principal do que aconteceu é que o tabuleiro rodou por centenas de horas pelos prisioneiros e nas palavras de um deles:
“graças a este cara éramos capazes de fazer algo com nossas mentes. Acorrentados no pescoço, sentados em posição de índio, jogávamos xadrez e quando fazíamos isso, estavamos livres. Se sua mente está ocupada você não é um prisioneiro e esse é o ganho, essa é a vitória. É como se não estivessemos lá”.
Sinceramente, a questão não é qual atividade pode ou não te entreter, mas se ela te liberta. E ai está a diferença entre os 98% da população tele-passiva e aqueles que, por mais que cansados e esgotados com o trabalho, chegam em casa se arrastando e fazem da “produção” mental o passo para fora deste mesmo presídio.
Vida longa aos blogueiros.
29 Julho 2008 às 1:07 am
Cara, pensei bastante sobre esse post.
Me lembrei de quando morava em república e, como bicho, tinha que fazer coisas das mais imbecis para os veteranos.
Sempre que um deles queria me irritar me obrigava a repetir ou fazer qualquer coisa que não me lembro agora, mas que não era absolutamente minha opinião ou vontade.
Um dia eu fiquei de saco cheio e apontei o dedo para minha cabeça e disse: “Você pode me obrigar a qualquer coisa, mas aqui dentro eu sou eu que mando.”, com o dedo colado em minha testa.
Tive um insight dia desses, conversando com um pessoa. Perguntei-lhe: “Imagina o lugar mais amplo, o maior lugar que possa existir na Terra. Onde fica esse lugar?”
Ela demorou-se a responder, mas se não me engano respondeu ‘Antartica’ ou ‘Oceano Atlântico’.
Mas o maior lugar do mundo é a nossa mente. Cabem todos os lugares possíveis e imagináveis. Lugares que você já esteve, amplos ou não. E mais ainda. Você pode IMAGINAR lugares tão ou MAIS amplos do que lugares reais.
Deu pra entender?
Eu ia falar sobre videogames, mas acho que ficaria muito longo.