A arte imita a vida? Ou a vida imita a arte?

22 Setembro 2008

Ano passado eu descobri MAUS, de Art Spiegelman, e fiquei fascinado com a idéia de uma história contada em quadrinhos ter sido considerada uma obra literária de primeira classe (ok, nem todo mundo concordou), chegando à honra de ter sido agraciada com o prêmio Pulitzer de literatura.

O livro vendeu milhões de cópias, Spieglman esteve na FLIP, a polêmica continuou (HQ pode ser considrado literatura?) mas o fato é que devorei o MAUS na primeira noite em que o tive em mãos. A história de Vladek Spieglman, um sobrevivente do holocausto judeu, é comovente e merecedora sim de ser difundida e premiada.

Começo citando MAUS pois ontem li um livro chamado PERSÉPOLIS (também com uma história contada por meio dos quadrinhos), cuja autora é a iraniana Marjane Satrapi, e que também tem como pano de fundo uma guerra.

Persépolis é uma aula de História contemporânea sobre uma região do mundo que nós brasileiros quase nada sabemos. Sem querer tirar os créditos de MAUS, cuja narrativa é sem dúvida mais “elaborada”, eu tenho que defender que Persépolis é mais interessante, pois conta a história de uma guerra até então muito pouco conhecida por mim. O conflito Irã-Iraque foi muito pouco divulgado ou explicado para nós, diferente da Segunda Guerra Mundial, tema até hoje bastante discutido.

Além de recomendar a leitura tanto de MAUS quanto de Persépolis, aproveito para lembrar quão visionário foi George Orwell em seu irretocável 1984: Em Persepolis, Marjane cita que a TV iraniana sempre divulgava dados sobre a guerra; Certo dia foi anunciado que o exército iraniano havia destruído 5 tanques e abatido 10 avióes iraquianos. Seu pai, sintonizando a rádio BBC, na verdade descobrira que naquele dia o exército iraquiano é que havia destruído aviões do Irã.

Falando sobre a mesma guerra, Marjane conta ainda que por volta de 1988 o Iraque propôs um cessar-fogo. O Irã negou, pois não aceitava uma “paz imposta pelo inimigo”. Mais tarde naquele mesmo ano o próprio governo chegou a admitir que não era economicamente interessante terminar a guerra.

Pode Orwell ter sido mais preciso, ao descrever o mundo que viveriamos num futuro próximo?

A arte imita a vida que copia de volta a arte. 

Em tempo: Persépolis virou filme em 2007.


Pra quem não está nem ai

17 Setembro 2008

Caro leitor, muitas vezes você se pergunta pq leva um tempo para um novo post, eu sei. Mas fique tranquilo, o blog é bem ativo, mas na maioria das vezes o trabalho pesado está no backstage. Tenho um post, por exemplo, bem interessante guardadinho nos meus rascunhos, mas em função da rotina pesada e do trabalho que as vezes o proprio post demanda, acabamos transparecendo uma certa omissão. Não se engane.

Para compensarmos esta situação, coloco aqui um  rapidinho.

Depois do anunciado Dia D do mercado financeiro (ah estes jornalista pessimistas), com a venda da Merrill Lynch, com o apoio do FED ao AIG e a concordata da Lehman Brothers, fico imaginando a cara daqueles economistas, corretores e financistas com pinta de sabe tudo sofrendo com a atual situação como se lhe tivessem roubado o doce ou o brinquedo. Que sofrimento.. deve ser barra.

Mas quem não tem nada a ver com isso, pelo menos a curto prazo, se diverte!


Are we connected or what?

2 Setembro 2008

O programa Fantástico de ontem mostrou webcams em várias partes do planeta: uma na jaula do panda no zoológico, outra numa praia em algum país qualquer. Mas de todas apresentadas, achei muito interessante uma câmera instalada na boléia de um caminhão, que roda as estradas americanas dia e noite fazendo entregas e de lambuja ainda transmite as imagens da estrada à frente.

É claro que após a “reportagem” do fantástico, a internet bombou de pessoas procurando as webcams apresentadas, e claro que eu também estava lá, procurando o endereço da tal 18-wheeler. Achei o caminhãozão estacionado num posto, transmitindo ao vivo, mas com imagem estática completamente sem graça. Chama-se camstreams.com o site que hospeda essa webcam, e logo fui eu procurar algo mais interessante para bisbilhotar dentro do mesmo site. E não é que encontrei o caminhoneiro brasileiro Luis e seu filho, viajando da Califórnia até Maryland em um Peterbilt descarregando carros ao longo do caminho?

O Luiz já trabalha com isso há 16 anos nos EUA, e com a camera instalada no caminhão nós podemos observar seu caminho, as estradas, paisagens. Podemos até conversar e fazer-lhes perguntas, que são respondidas de maneira mais segura através do microfone (não acho que seria saudável ele tirar as mãos do volante para digitar as respostas!).

Não deixe de viajar com o Luiz por alguns instantes, e torça para que ele esteja lendo o CHAT naquele dia (nem sempre ele faz isso, pois alguns trechos merecem ser dirgidos com mais atenção), o que torna a experiência mais curiosa ainda.

http://braziliantruckdriver.camstreams.com/