Ano passado eu descobri MAUS, de Art Spiegelman, e fiquei fascinado com a idéia de uma história contada em quadrinhos ter sido considerada uma obra literária de primeira classe (ok, nem todo mundo concordou), chegando à honra de ter sido agraciada com o prêmio Pulitzer de literatura.
O livro vendeu milhões de cópias, Spieglman esteve na FLIP, a polêmica continuou (HQ pode ser considrado literatura?) mas o fato é que devorei o MAUS na primeira noite em que o tive em mãos. A história de Vladek Spieglman, um sobrevivente do holocausto judeu, é comovente e merecedora sim de ser difundida e premiada.
Começo citando MAUS pois ontem li um livro chamado PERSÉPOLIS (também com uma história contada por meio dos quadrinhos), cuja autora é a iraniana Marjane Satrapi, e que também tem como pano de fundo uma guerra.
Persépolis é uma aula de História contemporânea sobre uma região do mundo que nós brasileiros quase nada sabemos. Sem querer tirar os créditos de MAUS, cuja narrativa é sem dúvida mais “elaborada”, eu tenho que defender que Persépolis é mais interessante, pois conta a história de uma guerra até então muito pouco conhecida por mim. O conflito Irã-Iraque foi muito pouco divulgado ou explicado para nós, diferente da Segunda Guerra Mundial, tema até hoje bastante discutido.
Além de recomendar a leitura tanto de MAUS quanto de Persépolis, aproveito para lembrar quão visionário foi George Orwell em seu irretocável 1984: Em Persepolis, Marjane cita que a TV iraniana sempre divulgava dados sobre a guerra; Certo dia foi anunciado que o exército iraniano havia destruído 5 tanques e abatido 10 avióes iraquianos. Seu pai, sintonizando a rádio BBC, na verdade descobrira que naquele dia o exército iraquiano é que havia destruído aviões do Irã.
Falando sobre a mesma guerra, Marjane conta ainda que por volta de 1988 o Iraque propôs um cessar-fogo. O Irã negou, pois não aceitava uma “paz imposta pelo inimigo”. Mais tarde naquele mesmo ano o próprio governo chegou a admitir que não era economicamente interessante terminar a guerra.
Pode Orwell ter sido mais preciso, ao descrever o mundo que viveriamos num futuro próximo?
A arte imita a vida que copia de volta a arte.
Em tempo: Persépolis virou filme em 2007.
Escrito por Olaf Bringen
Escrito por Extrato 
Escrito por Olaf Bringen